"Então falou Ester a Hatá, mandando-o dizer a Mardoqueu: Todos os servos do rei, e o povo das províncias do rei, bem sabem que todo o homem ou mulher que chegar ao rei no pátio interior, sem ser chamado, não há senão uma sentença, a de morte, salvo se o rei estender para ele o cetro de ouro, para que viva; e eu nestes trinta dias não tenho sido chamada para ir ao rei. E fizeram saber a Mardoqueu as palavras de Ester. Então Mardoqueu mandou que respondessem a Ester: Não imagines no teu íntimo que por estares na casa do rei, escaparás só tu entre todos os judeus. Porque, se de todo te calares neste tempo, socorro e livramento de outra parte sairá para os judeus, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino? Então disse Ester que tornassem a dizer a Mardoqueu: Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais nem bebais por três dias, nem de dia nem de noite, e eu e as minhas servas também assim jejuaremos. E assim irei ter com o rei, ainda que não seja segundo a lei; e se perecer, pereci. Então Mardoqueu foi, e fez conforme a tudo quanto Ester lhe ordenou. SUCEDEU, pois, que ao terceiro dia Ester se vestiu com trajes reais, e se pôs no pátio interior da casa do rei, defronte do aposento do rei; e o rei estava assentado sobre o seu trono real, na casa real, defronte da porta do aposento. E sucedeu que, vendo o rei à rainha Ester, que estava no pátio, alcançou graça aos seus olhos; e o rei estendeu para Ester o cetro de ouro, que tinha na sua mão, e Ester chegou, e tocou a ponta do cetro. Então o rei lhe disse: Que é que queres rainha Ester, ou qual é a tua petição? Até metade do reino se te dará."

Este texto nos leva a situações interessantes. O texto descrito acima mostra-nos o diálogo travado entre Ester e Mardoqueu quando sai o edito aprovado pelo rei que todos os judeus fossem mortos no dia 13 de Adar (aprox. 28 de fevereiro). Isso porque Hamã não recebia o louvor e prestigio que queria deste povo. Deus quer nos ensinar algumas coisas neste texto:

1º - A situação nos leva, em algumas vezes duvidar da benevolência de Deus. (4.10-11): Não que Ester tenha propositalmente recuado, ou quisesse que o povo morresse, mas às vezes, nos deixamos amedrontar por situações ou obstáculos que parecem intransponíveis, como aconteceu com a rainha Ester.

 

2º - Deus nos mostra para que fomos chamados (4.13-14): Mardoqueu lembrou a Ester que ela era uma judia e que da mesma forma que os judeus morressem, ela também morreria. O Senhor também nos leva  a ver que somos chamados como flechas na mão do arqueiro para atingir o alvo. Deus não erra! Como cristãos fomos chamados para fora, para buscar os perdidos. Para dentro, crescendo em graça, e confirmando uns aos outros. Para cima, no nosso relacionamento com Deus. E para frente, prosseguindo e plantando o Reino de Deus. Deus chama cada um para o que for útil e sabe exatamente onde cada um deve estar (I Co 12.7). Ester estava lá dentro do palácio, como rainha sendo o canal de Deus para livramento dos judeus. E você, para que foi chamado? Busque a Deus e Ele vai te mostrar.

 

3º - Precisamos nos posicionar para executar o chamado (4.15-16): Ester decidiu se posicionar. Ela convocou um jejum entre os judeus, suas criadas e ela, para que buscassem a Deus. Mas o fato interessante está na última frase: "se perecer, pereci". Isso demonstra que Ester decidiu executar o seu chamado. A rainha sabia que se não achasse graça diante do rei, morreria. Como já dito, Deus não erra o alvo. Ele é o melhor arqueiro que existe. Precisamos estar exatamente onde Ele nos colocar para que sejamos sua flecha, mesmo que estejamos posicionados dentro da Sua aljava!

 

4º - Somos encorajados a entrar diante do rei e enfrentar a situação (5.1): Ao fim dos três dias, Ester entrou no palácio e aguardou ser vista pelo rei. Quando Assuero a viu, diz a Palavra "E sucedeu que, vendo o rei à rainha Ester, que estava no pátio, alcançou graça aos seus olhos; e o rei estendeu para Ester o cetro de ouro, que tinha na sua mão". Ester confiava no Deus que servia e por isso seguiu em frente, Ela precisava enfrentar a situação. O rei achou nela, o que em muitas vezes deixamos faltar: graça de Deus. Somos tão imediatistas e ansiosos que esquecemo-nos muitas vezes de ir para o "quarto de escuta". Situações difíceis não são resolvidas só pelo intelecto, precisamos conhecer qual é a vontade de Deus e qual é o projeto d'Ele nesta situação.

 

5º - Somos agraciados pelo cetro de ouro (5.2): Ouro na Bíblia representa santidade, pureza. Nesse momento, entende-se não mais só a história, mas como comparecemos diante de Deus. Podemos entrar diante do Reis porque somos justificados (Rm 8.33) e somos continuamente santificados por meio de Cristo. O toque no cetro por Ester indica o que recebemos de Cristo na cruz: a aceitação para santificarmos até a volta d'Ele. Sua Graça Maravilhosa em nós.

 

6º - Podemos sentir a vontade de Deus nos atraindo a confiar n'Ele (5.3): Podemos ver que o rei Assuero deixa Ester bem a vontade para pedir-lhe o que quisesse. Assim somos nós com o Pai, quando aceitamos d'Ele o seu toque, ficamos a vontade para conhecê-lo e pedi-lo o que quiser. Sabemos que quando temos uma mente renovada em Cristo conhecemos qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12.2), por isso pedimos aquilo que está em conformidade com sua Palavra, certos de que seremos ouvidos (I Jo 5.14-15).

O Senhor nos mostra como é benevolente para conosco quando ficamos sob Sua vontade. Precisamos parar de argumentar e conhecer para que fomos chamados e nos posicionarmos da melhor forma a ser usados por Ele. O Senhor nos estenderá Sua graça à medida que o buscamos e dependemos mais D'Ele. Confiar em Deus não é uma atitude cega, mas é resultado do conhecimento de quem Ele é.

Que o Espírito Santo possa abençoar você abundantemente, no nome daquele que era, é e há de vir: Jesus Cristo, o Rei dos reis e Senhor dos senhores. Amém.