Entendendo a Oração - Parte III
ORAR NO ESPÍRITO E ORAR EM LÍNGUAS
O apóstolo Paulo dá especial importância ao fato de a verdadeira oração ser obra do Espírito Santo. Ele fala daquela liberdade, alegria e confiança na oração que brota da nossa consciência de sermos filhos de Deus. Em outras palavras, tal oração não tem origem em qualquer poder que o homem possui, e nunca pode ser considerada uma obra meritória.
Assim como a própria fé, da qual a oração vai brotando, e com a qual esta praticamente idêntica, uma dádiva celestial. (veja Rm. 8:15; Ef. 6:18; Gl. 4:6).
Para Paulo, a oração, em última análise, o Espírito que habita em nós é o que nos dá energia, que conversa com o próprio Deus, (II Co. 3:17; Jo. 4:24). Logo a oração, para ser eficaz, não depende da eloqüência humana nem de qualquer estado de Espírito específico do homem. O apóstolo ressalta, pelo contrário, que a oração operada no Espírito tanto evidência da certeza da salvação, quanto aumento da mesma. (Rm. 8:15-16).
Uma boa interpretação de Rm. 8:26 sustenta que não se trata meramente de não sabermos como orar, mas também, o que devemos orar. Visto que a oração, nos escritos de Paulo, nunca se faz sem palavras, entende-se que os gemidos ou suspiros referidos são exclamações de oração que acompanhavam o grito de aclamação: Aba, Pai! (Rm. 8:15). Orar no Espírito então, é sempre no sentido de o Espírito colocar na boca do homem aquilo que ele deve pedir em oração. Embora a tradição palestiniana não permitisse que o raciocínio fosse deixado de lado, Paulo também expressa essa preocupação conforme I Co. 14:15. Porém o orar no Espírito também se expressa por orar em línguas, e com isso que Paulo também se ocupa em I Co. 14:7-14. O Dom de línguas que tinha o seu lugar no culto público, aqui se descreve em termos de gemidos profundos demais para que se possa expressar por palavras, são expressões glossolálicas, visto que o próprio Espírito está agindo aqui, e que o orar em línguas é o veículo de comunicação mediante os crentes clamam a Deus, o fenômeno terrestre a expresso e reflexo de um fenômeno celestial.
Paulo não desenvolve esse conceito num sentido pedetista de nos erguer acima das nossas forças para nos aproximar de Deus. O Espírito não nos livra de coisas terrestre, mas sim, como nosso procurador, leva a Deus as nossas necessidades de maneira que nós mesmos não podemos expressar. As expressões verbais, não são as línguas dos anjos que indicariam uma possessão completa da presença de Deus, que o que os Coríntios falsamente supunham, mas sim um sinal da solidariedade da igreja com o restante da criação, que suspira ou geme da mesma maneira. A presença do Espírito, pois, apenas primícias da plena realidade da nossa adoção como filhos.
Orar em Espírito ou em línguas é uma necessidade e somos edificados com isso, porém são feitas por pessoas pecadoras e cheias de fraquezas, as fraquezas porém não são meras falhas espirituais, mas sim, descrições da condição humana. Além disso quando oramos em línguas não é isso um sinal de que a igreja já se realizou, por assim dizer, ou que isso represente uma espiritualidade adiantada, pelo contrário, para Paulo nada mais do que o clamor por libertação, feito por aqueles que sofrem tentações.
Podemos ir além e indicar que Paulo nos diz aqui que o suspirar uma forma adequada de prestar culto. Na realidade diz o contrário. É inadequado, pois mostra que não sabemos o que orar conforme devemos, e que essas expressões verbais não transmitem aquilo que está na mente de Deus. Tal falha, porém, compensada mediante a intercessão do Espírito. Essa intercessão aceitável a Deus, porque Deus conhece a mente do Espírito, e o Espírito intercede em conformidade com a vontade de Deus. Mais tarde, Paulo define o culto espiritual ou racional em termos de apresentar o corpo por sacrifício vivo e agradável a Deus, (Rm. 12:1), passa então a explicar o que significa isso em termos de não se conformar com o mundo, da renovação da mente, de fazer uso dos seus dons dentro do corpo de Cristo, e da vivência diria num mundo dominado por autoridades pagãs (conf. Cap. 12 e 13). Essas referências indicam como se deve complementar a adoração que se descreve no capítulo 8 de Romanos. Implica na dedicação a Deus da personalidade total, de modo racional que abrange a totalidade da mente; e prático, alcançando os aspectos práticos da vivência de todos os dias, na igreja e no mundo.
Podemos então concluir que orar no Espírito ou orar em línguas é uma expressão de fé e busca de Deus e não um sinal de santidade, é necessário para orarmos em intimidade com Deus e sermos edificados, porém é uma expressão clara da nossa fraqueza, de que necessitamos da operação do Espírito para alcançarmos pleno êxito na nossa busca em direção a Deus.
No próximo estudo veremos sobre como orar a Palavra, e de como isso poderoso para alcançarmos tudo o que a Palavra de Deus tem para ns. Releia esse capitulo e ponha em prática tudo o que o Espírito tem te ensinado.
A Bíblia, que é a Palavra de Deus, é o nosso manual e fonte de oração. Veja o que Deus declara em Isaías 55:10-11; Deus quer dizer o seguinte : A Palavra que sai da Minha boca, antes de retornar para Mim, produzirá o que ela disse. Coloque em seu espírito este princípio: A Palavra de Deus produz exatamente o que ela diz. Logo quando oramos, já começamos com a resposta.
Há princípios espirituais que governam nossa vida com Deus. No que concerne à oração, convém salientar a importância de se obedecer aos princípios revelados na Bíblia, para que a nossa vida de oração seja frutífera, por isso, como uma regra de ouro, baseie suas orações na Palavra de Deus.
Deus se revela em Sua Palavra. Deus e Sua Palavra se confundem. Atrás de cada vocábulo registrado em tinta e papel, se esconde uma Pessoa que nos fala e Se revela a nós. (João 1:1-3). É por essa razão que a Palavra traz o respaldo do caráter de Deus e do Seu Trono. Nós a elevamos em oração, e Ele vê-Se a Si mesmo em Sua Palavra brotando dos nossos lábios, e Se inclina para nos ouvir. Todo nosso relacionamento com Deus deve estar solidamente firmado em Sua Palavra. Sempre que nos aproximarmos dEle, tendo-a como base, trazendo no coração e nos lábios o que Ele falou, Seus ouvidos estarão ali, Ele estará presente, pois Deus está onde Sua Palavra se encontra. Note uma coisa: Se você vai orar a Palavra de Deus, e Ela é digna de confiança, você está pisando em terreno firme. Enquanto você andar nesse terreno terá sucesso. Mas na hora em que sair da Palavra, já terá entrado em terreno escorregadio, e estará fadado a fracassar. Confie, portanto, na integridade da Palavra de Deus e deixe que ela seja sua plataforma de oração. Firme-se sobre ela e recuse-se a sair dela. Discipline sua mente e permita que dos seus lábios brotem apenas palavras em linha com aquilo de Deus falou. A Palavra de Deus deve ser para nós a fonte de todas as nossas orações.
CONHEÇA A VONTADE DE DEUS PELA PALAVRA
Já vimos nos estudos anteriores que devemos orar sempre em conformidade com a vontade de Deus, mas como conhecer o que está na mente de Deus e saber Sua vontade? Na Sua própria Palavra. A maioria das coisas que Ele quer fazer em nossa vida, já está revelada nela. Mesmo as que não estão claras ajustam-se aos seus princípios. Logo a conhecendo, saberemos discernir Sua vontade, e orando-a, estaremos em linha com Seu propósito revelado, pelo que podemos Ter confiança de que Ele já nos respondeu, antes mesmo de vermos sua materialização.
Leia Rm. 12:2 e responda: Como a mente renovada? Com a Palavra. E enquanto a mente se expõe aos princípios da Palavra de Deus, ela vai sendo transformada e descobrindo o que agrada a Deus, isto , Sua vontade. Em consequência, as orações estarão em linha com o que Ele deseja, e o resultado que Ele vai nos atender como diz em I Jo. 5:14-15.
COMECE A ORAÇÃO COM A RESPOSTA
Quando você começa a oração com a Palavra de Deus, já começa com a resposta. Note por exemplo à oração de Davi no Salmo 23. Ele não suplica: “Deus, supre minhas necessidades. Preciso tanto de Ti! Estou cansado, com fome, leva-me a um lugar onde possa ser saciado. Livra-me da morte. Fica comigo. Toma conta dos meus inimigos” Não! Davi ora a Palavra de Deus, ora a resposta: “Senhor, Tu és o meu Pastor, nada me faltará...”
Você é convidado a fazer o que Davi fez. Ore a Palavra e veja Deus agindo na sua vida. Não fique aí choramingando o tempo todo. Abra a boca e ouse confessar diante de Deus aquilo que Ele já falou. Revele que você crê que tudo quanto Ele lhe prometeu é seu. É assim que devolvemos a Palavra de DEUS PARA Ele mesmo. É assim que ela não volta vazia.
ORANDO COM FÉ
Se você orar não tendo fé, com indícios de dúvida, você não receberá nada (Tg. 1:6-7), é necessário ter fé conforme Hb. 11:1:
FIRME FUNDAMENTO “Certeza”, garantia das coisas que esperam;
CONVICÇÃO “Prova”, das coisas que não se vêem (É DEUS FALAR E EU ACREDITAR).
A fé crescerá na proporção do seu conhecimento, pois como exercer fé naquilo que não se conhece? Não podemos crer numa promessa desconhecida. O que nos leva à ousadia da fé é o conhecimento da promessa. Se Deus disse que alguma coisa é nossa, então ela é. O que temos que fazer é crer e tomar posse do que já é nosso. Diante disso dediquemo-nos à oração e oremos corretamente, aproximando-nos do Trono com o coração e a boca cheios da Palavra de Deus, sabendo que sem a Palavra no haver fundamento para a oração.