(A)                   RESGATAR: Igreja Batista da Lagoinha foi buscar 3 mil desviados:

O retorno com sucesso dos desviados à igreja a as células depende basicamente da atitude da igreja. “A porcentagem de desviados que retorna à igreja não passa de 10% no Brasil, mas se a igreja toma uma atitude de ir buscá-los, consegue até 80% de sucesso”, afirma o pastor Sinfrônio Jardim.

Bons exemplos não faltam: a Igreja Batista da Lagoinha, de Belo Horizonte, já reagrupou 3 mil pessoas ao seu rebanho de 30 mil pessoas em pouco mais de dois anos. Ali, o pastor César Teodoro dirige o ministério “A centésima ovelha”, junto com o líder principal da igreja, Márcio Valadão.

A igreja Assembléia de Deus em Brasília, dirigida pelo pastor Elienai Cabral, também tem obtido sucesso no resgate aos seus desviados. Outra Assembléia de Deus, dirigida por Daniel Malafaia, em Campo Grande (MS) tem obtido sucesso semelhante.

 

(B)                   AMAR E BUSCAR: “Fomos Amados. Apenas Amados. E Isto Fez Toda A Diferença”

O casal Valmir Soares e Alina é exemplo perfeito de filhos pródigos restaurados. Conheceu a Deus, resolveu seguir seus próprios caminhos, reconheceu o estado em que estava, conseguiu forças para voltar, foi recebido com festa e experimentou a restauração em suas vidas, nessa ordem.

A primeira experiência de Valmir e Alina com Cristo aconteceu em 1987. Por um ano e meio eles se relacionaram com Deus e com a igreja local que freqüentavam, em Campinas, SP. “O problema é que não abri totalmente o coração naquela época. O resultado é que ao longo do tempo fui esfriando, as coisas foram ficando difíceis e eu acabei tomando duas decisões erradas que resultaram no meu afastamento da comunhão”.

- Aí não tem jeito, você entra mesmo no pecado e fica até pior. Comecei a praticar coisas horríveis e a mentir para minha esposa. Quando pensava em voltar, havia sempre a voz acusadora do diabo, dizendo que eu era indigno, que ninguém iria me receber, enfim, que não tinha mais volta. Eu me lembrava dos irmãos, da alegria e do amor que desfrutávamos, mas o pecado me impedia de voltar.

- Outra coisa que me impedia de voltar era a presunção, lembra Valmir. “Dizia para mim mesmo, tenho o Senhor na Bíblia… não preciso voltar. Eu não tinha o entendimento de que é o corpo quem nos sustenta”.

-Mas aí Deus usou a vida do próprio casal que nos falara inicialmente de Jesus, os irmãos Hélcio La Scala Teixeira e Isabel, hoje pastores em São José dos Campos, SP.

Valmir relembra: “Um dia, depois de uma conversa franca com eles e de novo convite, eu e minha esposa resolvemos visitar a igreja novamente. Enchemo-nos de coragem e fomos. Era um domingo de setembro, em 1992. Fomos recebidos literalmente como filhos pródigos. A maioria dos irmãos nos abraçou, orou conosco e, pela graça de Deus, fomos tocados novamente. Fiquei mais de uma hora chorando num canto, arrependido”.

Hoje o casal está restaurado e integrado na vida normal da igreja.

- O melhor de tudo, diz Valmir, é que em tempo algum recebemos o menor olhar de acusação dos irmãos. Nem mesmo por parte daqueles que tinham nos aconselhado anteriormente e a quem não tínhamos dado ouvidos. Ninguém disse: eu te avisei. Fomos amados. Apenas amados. E isto fez toda a diferença”.

 

UM DESVIO MONSTRUOSO

· Há hoje, apenas no Brasil, entre 30 milhões e 40 milhões de pessoas que um dia freqüentaram alguma igreja evangélica.

· Uma igreja de 10 anos que manteve média de 200 membros viu passar por seu rol o dobro desse número. Isto é, 400 pessoas que passaram por essa igreja estão desviadas hoje.

· A porcentagem de desviados que retorna à igreja não passa de 10% no Brasil.

· Entre 60% e 70% dos desviados não receberam qualquer visita de líderes ou membros quando decidiram sair da igreja.

. Entre 40% e 30% receberam de uma a três visitas, que se revelaram na maioria das vezes de cobrança ou condenação.

· Hospícios e presídios são os lugares de destino de boa parte dos desviados.

· De cada 10 andarilhos, 3 deles freqüentaram alguma igreja um dia.

· A maioria dos desviados (acima de 50%) é afetada pelo ressentimento com sua liderança

 

ESTATÍSTICAS DE NÚMERO DE DESVIADOS

O número estimado de 30 milhões a 40 milhões de desviados no Brasil não é corroborado pela Sepal - Serviço de Evangelização Para América Latina. Missão internacional estabelecida no Brasil há mais de 30 anos, a Sepal tem um departamento especialmente voltado a pesquisas relacionadas ao meio cristão no Brasil e na América Latina.

A secretária do departamento de pesquisas da Sepal, Mércia Carvalhaes, explica que hoje no Brasil nenhuma instituição possui números oficiais sequer sobre a quantidade de cristãos no Brasil e muito menos sobre o número de desviados.

- Concordamos que há muitos desviados no Brasil, mas é impossível dimensionar a quantidade, afirma Mércia Carvalhaes. "Seria necessário fazer pesquisa específica a isso. E a gente não conhece ainda nem os evangélicos.

Queremos saber primeiro onde estão as igrejas e as pessoas que realmen,te as freqüentam para então levantar outros dados, como o de desviados, por exemplo". O movimento Brasil 2010, também da Sepal (www.brasil2010.org) está tentando localizar as igrejas evangélicas no Brasil.

- Ora, se não sabemos quantos somos, como saberíamos o número de desviados, pergunta Mércia Carvalhaes. "O que sabemos apenas é que a porcentagem de evangélicos no Brasil é de 17% da população". O fato é que 17% da população brasileira corresponde a cerca de 30 milhões de crentes e que desse universo muitos se desviaram ou se desviam.

A pesquisadora da Sepal informa que nem mesmo a pesquisa do IBGE é confiável, porque os recenseadores da pesquisa em 2000 não foram treinados para ver as diferenças de religião. Ainda assim, ressalva, os dados do IBGE são os únicos disponíveis.

 

(C)               REINTEGRAR E CARREGAR: O EXEMPLO DAS FORMIGAS

Vamos observar as formigas. Com um objetivo definido, elas seguem em linha reta, uma após a outra. Mesmo no ritmo apressado que caminham, conservam uma disciplina rígida, cada uma envolvida apenas com a realização de seu trabalho. A formiga é citada na Bíblia como modelo de persistência no trabalho. Cada uma leva a sua carga sem perder tempo, porque precisa concluir sua tarefa. Entretanto, se alguém pegasse apenas uma delas e, maldosamente, arrancasse suas pernas, colocando-a novamente no meio do caminho onde as outras estão passando, que tipo de reação as demais teriam? Deixariam a companheira machucada e prosseguiriam normalmente? A operária ferida permaneceria  prostrada e solitária pelos arredores do caminho? Posso dizer-lhe que dentro de poucos segundos ela seria carregada por uma de suas companheiras. Normalmente acontece assim:

      Quando percebem que a companheira está machucada, algumas delas interrompem a acelerada caminhada, demonstrando preocupação e misericórdia.

      Começam a examinar a colega ferida, como que dizendo: “Porque não pode mais caminhar?” ou então: “Eu me preocupo com você, por isso estou aqui!”

      Depois, sem perda de tempo, a mutilada é carregada por sua companheira e não fica exposta naquele lugar.

A lição que as formigas ensinam não é só de trabalho, perseverança e conquista; parece-me que vai além disso! Elas dão uma lição também de amor e misericórdia, apesar de serem irracionais. Através do instinto inserido pelo próprio Deus, fornecem uma perfeita demonstração de como realmente cada um de nós deveria ser.

Estamos fazendo como as formigas? Quando percebemos um irmão, um companheiro de lutas contra as trevas, com as pernas espirituais quebradas e caído em profundo pecado, interrompemos nossa caminhada para demonstrar-lhes amor? Procuramos saber o que lhe aconteceu, qual o motivo de estar naquela situação? Temos amor a ponto de ajudá-lo a sair do pecado, carregando-o em nossos ombros até que esteja reabilitado?